Mostrando postagens com marcador indicadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador indicadores. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A média, a mediana e os indicadores fundamentalistas: cuidado na hora de usar

Como você já está careca de saber, boa parte da análise fundamentalista é lastreada no uso de indicadores técnicos específicos, que são utilizados de modo a analisar e comparar os traços quantitativos de diferentes empresas. Em várias dessas análises, é comum a recomendação de que se examine como o indicador está atualmente em relação à sua média no passado. Mas este pode ser um erro com consequências sérias.

Entenda a diferença entre média e mediana

Observe o seguinte gráfico:
Média e Mediana
O gráfico ilustra a evolução de um indicador fundamentalista qualquer (ROE, P/L, P/VPA, qualquer um) entre os anos de 2000 e 2014. Apenas pra facilitar as contas, digamos que seja o indicador P/L (preço por lucro). Ao calcularmos a média, teríamos como resultado um P/L médio de 23. Mas observe que essa média  foi “empurrada” para cima porque entre 2004 e 2009 (cinco dos quinze períodos) o P/L subiu bastante. De uma média inferior a 10, foi para além de 60. Ou seja, por conta de um desvio ocorrido em um terço dos períodos, a média foi jogada pra cima. E isso desvirtuaria toda a análise. Por exemplo, um P/L equivalente a 10 seria considerado baixo, porque a média de 15 anos foi de 23.
Por essa razão, Aswath Damodaran – um dos maiores (se não o maior) especialistas em análise fundamentalista – sugere que o investidor utilize a mediana, e não a média para examinar o comportamento dos indicadores fundamentalistas. Mas qual a diferença entre esses conceitos?
média diz respeito à soma dos valores de um determinado conjunto de medidas, dividindo-se o resultado pela quantidade dos valores somados. Por exemplo, a série 3, 4, 9, 10, 12, 16, 20, 30, composta por 8 elementos, tem como média 13. Pra chegar ao resultado, basta somar 3+4+9+10+12+16+20+30 e dividir o resultado (104) por 8.
mediana, por sua vez, traz como resultado o centro da distribuição dos dados – o valor que divide o conjunto de elementos exatamente no meio – ou seja, metade dos elementos da amostra são menores ou iguais à mediana, e a outra metade é 50% maior ou igual à mediana. No exemplo do parágrafo anterior, em que a média é 13, a mediana é 11 – ou seja, 50% dos números estão abaixo de 11 (3, 4, 9, 10) e 50% estão acima de 11 (12, 16, 20, 30).
Note, ainda, que na situação em que há uma distribuição simétrica de dados, a média e a mediana tenderão a coincidir. É o que ocorre, por exemplo, na sequência 1, 2, 3, 3, 2, 1, a média e a mediana são iguais a 2. Ou seja, (1+2+3+3+2+1) : 6 = 2 e 50% dos números estão abaixo ou coincidem com 2 (1, 1, 2, 2) ou estão acima ou coincidem com 2 (2, 2, 3, 3).
Imagem em destaque via Shutterstock
Imagem em destaque via Shutterstock

Como a mediana pode ajudar a investir?

Chega de matemática abstrata. Como isso tudo pode fazer de você um investidor melhor?
Voltemos ao gráfico acima. Ele foi calculado a partir da série 4, 5, 8, 10, 25, 35, 55, 67, 50, 52, 7, 8, 9, 7, 4. Se calcularmos a média, o resultado será 23,06. A mediana, contudo, é apenas 9.
Ou seja, se hoje o P/L estivesse em 17, o investidor que utilizasse a média para verificar se a ação está cara ou barata, a consideraria relativamente barata. Afinal, a média da série é 23,06.
Ao utilizar a mediana, contudo, o equívoco é rapidamente identificado. Afinal, a mediana da série é 9 e o resultado de momento (17) seria considerado muito mais elevado. Entendeu a importância da mediana? Confiar cegamente na média levaria a um resultado deturpado em virtude de parte da série destoar MUITO do conjunto total. Na verdade, UM ÚNICO ANO em que os resultados fossem extremamente díspares do restante da série já poderia levar  a uma deturpação absurda na média.
Portanto… o recado é, nas palavras de Damodaran: “a lição importante a ser aprendida é que usar a média como medida de comparação pode ser perigoso. Faz muito mais sentido focar na mediana”.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Indicadores Técnicos - Bollinger Bands

Bandas de Bollinger (Bollinger Bands)

Fonte: InvestMax
  Bandas de Bollinger: O que é, como usar, como analisar e como calcular esse indicador de análise técnica.

  Um dos comentários que se ouve frequentemente no mercado é que as cotações hoje em dia são mais voláteis do que há uns anos atrás. O que é que a volatilidade significa na prática? Sempre que as cotações de um dado título tenham variações bastante pronunciadas num período de tempo relativamente curto, pode-se afirmar que o título é muito volátil. Exemplos não faltam para exemplificar a volatilidade, senão atente-se:
  a. Sumolis: após rumores que davam conta de uma OPA sobre o capital da Sumolis, a cotação deste título subiu dos 7.5 Euros aos 22.5 Euros em poucos dias. Tão rápida quanto a alta, foi a baixa até perto dos 12 Euros.
  b. PT Multimedia: partindo de um preço base de 27 Euros após o IPO, a PT Multimedia em vagas sucessivas de histeria subiu até perto dos 150 Euros. Em pouco mais de um mês, a sua cotação caiu para níveis em torno dos 55 Euros.
Em termos de análise técnica, o indicador que mede a volatilidade de um título são as Bandas de Bollinger que foram desenvolvidas por John Bollinger da Bollinger Capital. Atente-se ao seguinte gráfico onde estão desenhadas das bandas de Bollinger:
bandas de bollinger, bollinger bands, indicador, indicadores técnicos, análise técnica, analise grafica, estudos, Volatilidade, suporte e resistencia
As Bandas de Bollinger são de fato 3 linhas ou envolventes. A banda central é na realidade uma média móvel das cotações do título nos últimos n dias. Depois temos ainda a banda superior e a banda inferior que são calculadas em função do desvio padrão relativamente à média móvel, ou banda central. Em termos de cálculo, temos as seguintes fórmulas:

Banda Superior = Banda Central + D * Sqrt( sum(cotação - banda central)^2/N)
Banda Superior = Banda Central - D * Sqrt( sum(cotação - banda central)^2/N)

(N = número de dias de cálculo da média móvel)
(Sqrt = raíz quadrada)
(Sum = somatório)
(D = número de desvios padrões)

Em termos de interpretação, as bandas de Bollinger podem ser interpretadas graficamente da seguinte forma:

1. Uma variação de cotação que comece numa banda tende a deslocar a cotação do título para a outra banda

2. Quando as cotações de um título saem fora quer da banda superior quer da banda inferior, tendem a voltar para dentro das bandas. Tal significa que se a cotação de um título estiver acima da banda superior, continuará aí apenas temporariamente até surgir um movimento de queda das cotações que reporá as cotações para dentro das bandas

3. As maiores variações da cotação de um título tendem a surgir quando as bandas superiores e inferiores se encontram mais próximas. Esse período de tempo é geralmente um período de consolidação das cotações (ex:ZONA 2) que deverá ser seguido por um período de tempo de maior volatilidade em que as bandas tenderão a afastar-se (ex: ZONA 1).

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Indicadores Técnicos - Média Móvel

Média Móvel (MM - Moving Averange)

Fonte: InvestMax
Aprenda a usar o indicador técnico média móvel. Um dos mais antigos e mais utilizado. A média móvel é um dos indicadores de tendência mais antigos utilizados na análise técnica. Este indicador é na prática uma média das cotações dos últimos n diasHá basicamente cinco tipos de médias móveis: exponencial, simples, triangular, variável e pesada. Estas médias móveis podem ser aplicadas sobre qualquer valor do título, desde o volume, passando pelo preço de fecho ou pelo valor de abertura.
média móvel, indicador, indicadores técnicos, análise técnica, analise grafica, moving average, estudos
  Para o cálculo de uma média móvel simples de 25 dias basta somar as cotações do título dos últimos 25 dias e dividir por 25. Para traçar o gráfico tem-se que executar este procedimento para cada um dos dias do gráfico a visualizar. Obviamente que para obter a média móvel de n dias para um determinado dia terá que haver obrigatoriamente cotações nos n dias anteriores. E isso pode nem sempre acontecer como no caso de entrada em Bolsa de um novo título.
Para traçar o gráfico tem-se que executar este procedimento para cada um dos dias do gráfico a visualizar. Obviamente que para obter a média móvel de n dias para um determinado dia terá que haver obrigatoriamente cotações nos n dias anteriores. E isso pode nem sempre acontecer como no caso de entrada em Bolsa de um novo título.
Mas qual deve ser a média móvel a utilizar? Essa resposta depende basicamente do tipo de peso que se pretende dar às cotações. No caso de uma média móvel simples, todas as cotações do título têm o mesmo peso ao longo do tempo. No caso da triangular, é dado mais peso às cotações que estão a meio do período de análise. No caso da exponencial é dado mais peso às cotações mais recentes. Por norma, é utilizada a média móvel exponencial que produz melhores resultados na maior parte das situações.
Outra questão pertinente no cálculo de uma média móvel exponencial é a determinação do número de dias a se utilizar no respectivo cálculo. Essa questão prende-se única e exclusivamente ao tipo de análise pretendida. Para isso analise-se a seguinte tabela:
Tendência
Número dias
Muito curto-prazo
5 a 13 dias
Curto-prazo
14 a 25 dias
Médio-prazo
50 a 100 dias
Longo-prazo
100 a 200 dias

Para efetuar análises de médio-prazo geralmente utiliza-se a média móvel de 50 dias enquanto que para análises de longo prazo utiliza-se a média móvel de 200 dias. Tanto o valor 50 quanto o valor 200 (39 semanas) são valores empíricos que resultam da experiência acumulada que prova que produzem melhores resultados.
Por último importa analisar a questão mais importante: como é que se interpreta este indicador? Tipicamente numa análise de médio-prazo traça-se o gráfico das cotações juntamente com o gráfico da média móvel exponencial de 50 dias. Sempre que a MME cruze a linha de cotações para um valor superior é acionado um sinal de compra. Sempre que a MME cruze a linha de cotações para um valor inferior está dado um sinal de venda. 
Esta análise simplista coloca-nos sempre do lado correto da tendência do mercado. No entanto este indicador não tem valor preditivo acerca da tendência, pois que a reação é sempre mais lenta do que outros indicadores. Assim a recomendação quer de compra ou venda pode ser sempre tardia. Por isso nos próximos artigos iremos nos debruçar sobre outros tipos de indicadores.